Penso na vida, nas formas, na massa que compõe os objectos, nos sentimentos e em tudo que nos faz sermos assim como somos.
Num desses dias decido descer á falésia, ponto de encontro entre o presente e o longínquo, para fugir ao rebuliço das ruas, e foi ai que me sentei, olhei e senti-me parte daquele imenso fundo negro, envolvido naquela planície milenar massacrada pelas marés e pelo nosso fútil e egoísta desenvolvimento. Ser massacrado pelo mar e pela inconsciência dos homens. Fechei os olhos e deixei-me envolver pela brisa suave daquela noite, quando me senti levitar e subir até ao céu onde duas vozes familiares bradavam sussurros, como que a contar segredos aos céus, envolvidos com sons arrepiantes de fundo que me gelavam a pele quando cortavam a brisa que sem razão, aumentara. E falavam “sou a alma dele que quer chegar ao coração daqueles que ele não alcança, para meu espanto as estrelas formaram a silhueta da figura materna que me faz hoje pensar, enquanto os UUUUUsss das palavras se propagavam como que eternamente pelo universo, arrastando-me com ela numa viagem que parecia não ter fim.
Viagem curta, julgo eu, pois senti uma distorção temporal com tanta turbulência. Acordei devagar como de um sono profundo mas parecia estar ainda dentro dum sonho, que cenário irreal, este onde acordei, um imenso labirinto com paredes altas, nuas e incolores, onde eu conseguia ver o infinito mesmo ali à minha frente. Decidi caminhar e esperar que algo surgisse à minha frente para eu saber onde estava, e logo soltei uma gargalhada de pânico. De repente oiço uma voz feminina sobre a minha cabeça, uma voz doce e quente que parecia querer guiar-me naquele labirinto sem fim, pensei que estando ali sozinho poderia tentar inverter a minha maneira de ser, pois senti-me estupidamente sozinho, tendo apenas aquela voz amiga comigo, e estupidamente porque sempre fiz por estar sozinho numa tentativa de provar porque somos sociáveis? Somos não porque eu quero, mas sim porque temos medo.
E temos porquê? Porque nascemos sãos e puros, o mundo é que nos transforma nestes seres lastimáveis, os mesmos que para viver uma gota desta grande eternidade, transformaram a sociedade num meio egoísta e auto-destrutivo. PAREM, parem um segundo, um minuto, e pensem, não, não pensem, para quê? Eu mesmo estou aterrorizado, falei do tempo! Mais uma maquiavélica invenção humana para nos controlar, serão mesmo quatro ou cinco horas. Se são, porque são??? Porquê??? Lastimo o nosso passado.
Não será difícil perceber que isto acabara um dia, será o sol como qualquer estrela que sucumbirá primeiro, ou teremos o prazer de nos sucumbir primeiro, espero bem que sim, pena daqueles que nada fizeram para isso, mas esses serão já extintos enquanto nos continuaremos a domesticar para divertir os leigos que vivem na gotinha da eternidade.
Tudo na nossa existência tem resposta na natureza, foi ela que nos criou, e ela não é egoísta, tem espaço e perdurará, pois não conhece ideais irracionalmente impostos que fazem espoliar abruptamente, de forma vil e covarde.
Todos os males que nos apavoram foram por nós criados e são por nós impostos.
De súbito a voz calou-se, e eu vi-me de novo preenchido por uma solidão fria e silenciosa. Decidi caminhar, por entre as paredes transparentes que me rodeavam, andei, andei mas tudo era igual. Tinha encontrado o fim, ou seria o oposto.
Uma forte sensação de medo tinha agora se apoderado de mim, sentia dentro de mim um pânico consciente e surdo, que tomava a minha cabeça como uma prensa, sentia as minhas paredes esmagadas pelo pavor de não saber o que estava a acontecer, só me ocorreu uma coisa… um grito, grande, de pulmões abertos, que me aliviava a cabeça. Estranhamente o som não se propagou, bateu na parede e volto com mais força parecia uma rajada de vento, tão forte que era que me derrubou. A mim e aos outros que sem saberem, estavam comigo.
Num desses dias decido descer á falésia, ponto de encontro entre o presente e o longínquo, para fugir ao rebuliço das ruas, e foi ai que me sentei, olhei e senti-me parte daquele imenso fundo negro, envolvido naquela planície milenar massacrada pelas marés e pelo nosso fútil e egoísta desenvolvimento. Ser massacrado pelo mar e pela inconsciência dos homens. Fechei os olhos e deixei-me envolver pela brisa suave daquela noite, quando me senti levitar e subir até ao céu onde duas vozes familiares bradavam sussurros, como que a contar segredos aos céus, envolvidos com sons arrepiantes de fundo que me gelavam a pele quando cortavam a brisa que sem razão, aumentara. E falavam “sou a alma dele que quer chegar ao coração daqueles que ele não alcança, para meu espanto as estrelas formaram a silhueta da figura materna que me faz hoje pensar, enquanto os UUUUUsss das palavras se propagavam como que eternamente pelo universo, arrastando-me com ela numa viagem que parecia não ter fim.
Viagem curta, julgo eu, pois senti uma distorção temporal com tanta turbulência. Acordei devagar como de um sono profundo mas parecia estar ainda dentro dum sonho, que cenário irreal, este onde acordei, um imenso labirinto com paredes altas, nuas e incolores, onde eu conseguia ver o infinito mesmo ali à minha frente. Decidi caminhar e esperar que algo surgisse à minha frente para eu saber onde estava, e logo soltei uma gargalhada de pânico. De repente oiço uma voz feminina sobre a minha cabeça, uma voz doce e quente que parecia querer guiar-me naquele labirinto sem fim, pensei que estando ali sozinho poderia tentar inverter a minha maneira de ser, pois senti-me estupidamente sozinho, tendo apenas aquela voz amiga comigo, e estupidamente porque sempre fiz por estar sozinho numa tentativa de provar porque somos sociáveis? Somos não porque eu quero, mas sim porque temos medo.
E temos porquê? Porque nascemos sãos e puros, o mundo é que nos transforma nestes seres lastimáveis, os mesmos que para viver uma gota desta grande eternidade, transformaram a sociedade num meio egoísta e auto-destrutivo. PAREM, parem um segundo, um minuto, e pensem, não, não pensem, para quê? Eu mesmo estou aterrorizado, falei do tempo! Mais uma maquiavélica invenção humana para nos controlar, serão mesmo quatro ou cinco horas. Se são, porque são??? Porquê??? Lastimo o nosso passado.
Não será difícil perceber que isto acabara um dia, será o sol como qualquer estrela que sucumbirá primeiro, ou teremos o prazer de nos sucumbir primeiro, espero bem que sim, pena daqueles que nada fizeram para isso, mas esses serão já extintos enquanto nos continuaremos a domesticar para divertir os leigos que vivem na gotinha da eternidade.
Tudo na nossa existência tem resposta na natureza, foi ela que nos criou, e ela não é egoísta, tem espaço e perdurará, pois não conhece ideais irracionalmente impostos que fazem espoliar abruptamente, de forma vil e covarde.
Todos os males que nos apavoram foram por nós criados e são por nós impostos.
De súbito a voz calou-se, e eu vi-me de novo preenchido por uma solidão fria e silenciosa. Decidi caminhar, por entre as paredes transparentes que me rodeavam, andei, andei mas tudo era igual. Tinha encontrado o fim, ou seria o oposto.
Uma forte sensação de medo tinha agora se apoderado de mim, sentia dentro de mim um pânico consciente e surdo, que tomava a minha cabeça como uma prensa, sentia as minhas paredes esmagadas pelo pavor de não saber o que estava a acontecer, só me ocorreu uma coisa… um grito, grande, de pulmões abertos, que me aliviava a cabeça. Estranhamente o som não se propagou, bateu na parede e volto com mais força parecia uma rajada de vento, tão forte que era que me derrubou. A mim e aos outros que sem saberem, estavam comigo.
music: Waterfall, enya

2 Comments:
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Nice colors. Keep up the good work. thnx!
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