Saturday, June 10, 2006

Um fim de tarde diferentemente igual aos outros todos, decido por o motor a trabalhar e seguir o sol, conduzo com o braço fora da janela deixando este livre para se ondular ao sabor do vento, tal como eu.
Encontro o sol, mais perto não consigo chegar, e decido descer. Desço e sento-me, pego na caneta e deixa as palavras escorrerem e fluírem para o papel, e sem pensar, sem parar para ver o que escrevo. Mas não, NÃO é isto que quero, não é isto que quero. Quero disserte, mostrar-te, quero que SAIBAS, podes responder com o silêncio, esse mesmo silêncio que já retratei anteriormente. Mas responde, quero que saibas e respondas.
Parei, concentro-me no que o sol me conta, que se expressa através dos sons enternecedores do mar, que é o mesmo, o mesmo som que já ouvimos, e lembro aquilo que era minha vontade quando juntos ouvimos, era e é, continua a ser a minha vontade.
Mas tenho medo, não sei também se o tens, eu sei que tenho, e sei que tenho coragem de ter medo.
Tenho a absurda coragem de estar a viver a felicidade do medo. Se abrires os olhos vais ver como eu, mas ver não basta, porque vivemos na ditadura daquilo que não conseguimos assumir.


O café estava óptimo, devolvo a caneta emprestada, e sigo viagem, para encontrar respostas, continuo a encontrar e encontro porque não procuro.


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