Nunca em tão pouco tempo me ocorreram tantas perguntas respondidas em tão pouco tempo. Questiono-me e sei a resposta, cresci em poucos dias aquilo que deveria ter crescido de forma progressiva durante anos.
Olho para mim, mas quero olhar para nós… um dia, um dia vou lançar-me, talvez já me tenha lançado (não sei, o meu consciente diz que sim), mas o voo perfeito não o consigo fazer sozinho, E tu, já te lançaste? estou agora ainda em queda livre, preciso do “nós” para planar. Posso bater no fundo, apenas espero a tua mão para num movimento acolhedor me resgatar e me fazer abrir as asas.
Jogo o jogo, de várias formas, olho de fora para dentro, tento sair de mim para perceber o que esta em meu redor, recolho as várias interpretações que faço mas aquela que eu quero que seja a verdadeira, aquela em qual acredito e que mais sentido me faz, mesmo correndo o risco (in)consciente de estar a destruir algo que a minha imaginação construiu é a que persiste (porque acredito que seja verdade) já não sei o que faço, já não sei se sou explicito (sinto-me a divagar) quando o que quero dizer é tão grande, e ouve-se em tão poucos segundos, apenas o resultado me pode ocupar tempos de desilusão, ou não, sim, não, sim, não, os olhos dizem-me sim, o olhar diz-me sim, os gestos dizem-me sim, oiço, leio e só sinto, o sim, mas o não paira, mas com tantos sim, apenas tenho medo de ser… feliz... “Tenho a absurda coragem de estar a viver a felicidade do medo”,
Os olhos falam, mas até ai sinto timidez, timidez no olhar, mas quando olham, não mentem. Timidamente mostram o que não digo.
Apenas me ocorre o que li e reli numa obra de Paulo Coelho “A felicidade multiplica-se, dividindo-se”
Vale sempre a pena sermos como somos,
Se sabemos que somos assim,
E lutar assim como somos,
Para que seja assim
Como queremos.
Lutar pelo que acreditamos que nos fará feliz, lutar sem mudar, lutar com aquilo que temos, não nos moldarmos, vou continuar assim, como sou e é por isso que sei que vou planar… talvez…
…Há pessoas cuja presença nos deixa bem… tranquilamente agitados mas bem, a nossa postura perante elas é calma, mas o nosso corpo uma tempestade, um turbilhão de sentimentos, um conjunto de sensações tão forte que abranda qualquer tentativa de extravasão. Sentimos um bloqueio que já todos sentimos, e que apenas se pode descrever de uma maneira, a vontade de querer subir mais alto que todos e gritar, ALTO, extravasar, pular, com a vontade de contagiar e fazer com que todos sintam o mesmo e querer unir todos á volta do mesmo sentimento, aquele que ninguém consegue explicar. Tal como a loucura é etiquetada a alguns; (injustamente; pois eu também sou, e vocês também), deveríamos todos deixar uma etiqueta em branca no nosso corpo para que quando a nossa tranquilidade se extravasar ela se preencha e sejamos enfim também aquele louco, aquele feliz, que se completou. Há pessoas cuja presença nos deixa bem, basta lembrar, basta sorrir, basta um olhar. Basta pensar…, e ter vontade de dizer, mas por vezes basta… sorrir com os olhos, no olhar, e dizer com os olhos a sorrir… Há pessoas cuja presença nos deixa bem…bem… e um dia…
…um dia, hoje, amanhã, depois, mais tarde ou mais cedo, mas um dia, vou dizer foi ontem…
…que me LANCEI em frente e ai tudo fará sentido…
… “Olhei para baixo, era alto, mas decidido lancei-me em frente com os braços bem abertos como que a aconchegar o mundo dentro do meu voo, não sei quando parti, mas a cada segundo que paro, as imagens que tenho captado são magnificas e perpetuas como memorias…”
Music: The Farm, All together Now
Mafalda Veiga: Porque ouvi e “semicerrei os olhos, ninguém me ensinou aprendi”
EU, apenas EU, mais ninguém, apenas EU, só EU, somente EU, mais ninguém, faço aquilo que o EU manda, o que o EU quer, mas não quero, pois o EU não sou EU, é alguém.
Cada um de nos vive no seu EU, para descobrir quem é o tu que faz de EU.
Ninguém vive por si, vós viveis para alguém, TU vives para alguém, que está ai fora, algures está, sei que está. Podemos não saber quem, podemos já conhecer quem.
Ninguém vive por si,
Vós viveis para alguém,
Tu vives para alguém,
Que esta ai fora
Algures esta, alguém,
Não por si, mas por ti
Por alguém
Podemos não saber quem,
Podemos já conhecer o quem, e dizer, estas aqui, perto, olha, sou EU, o teu EU que esta aqui ao pé de ti, és o tu que quero que guies o meu EU.
Não é abstracto, esta simples demais, apenas temos de, mais uma vez, ESCUTAR em vez de ler, ler em voz alta, pausadamente e, é simples, simples demais, tão simples.
Music: Jonhy Nash - I can see clearly now Forrest Gump Soundtrack: American Pie
A igualdade não é um direito, é um dever. Nosso de todos, e mais que tudo deve ser um dever inconsciente. E praticado sem interrogações, sem pedidos e sem hipocrisias, essas que nos tornam nas gotas fúteis que invadem as nossas eternidades.
Olhei para baixo, era alto, mas decidido lancei-me em frente com os braços bem abertos como que a aconchegar o mundo dentro do meu voo, não sei quando parti, mas a cada segundo que paro, as imagens que tenho captado são magnificas e perpétuas como memórias…
Vivo das memórias com que quero desenhar o futuro.
Um fim de tarde diferentemente igual aos outros todos, decido por o motor a trabalhar e seguir o sol, conduzo com o braço fora da janela deixando este livre para se ondular ao sabor do vento, tal como eu.
Encontro o sol, mais perto não consigo chegar, e decido descer. Desço e sento-me, pego na caneta e deixa as palavras escorrerem e fluírem para o papel, e sem pensar, sem parar para ver o que escrevo. Mas não, NÃO é isto que quero, não é isto que quero. Quero disserte, mostrar-te, quero que SAIBAS, podes responder com o silêncio, esse mesmo silêncio que já retratei anteriormente. Mas responde, quero que saibas e respondas.
Parei, concentro-me no que o sol me conta, que se expressa através dos sons enternecedores do mar, que é o mesmo, o mesmo som que já ouvimos, e lembro aquilo que era minha vontade quando juntos ouvimos, era e é, continua a ser a minha vontade.
Mas tenho medo, não sei também se o tens, eu sei que tenho, e sei que tenho coragem de ter medo.
Tenho a absurda coragem de estar a viver a felicidade do medo. Se abrires os olhos vais ver como eu, mas ver não basta, porque vivemos na ditadura daquilo que não conseguimos assumir.
O café estava óptimo, devolvo a caneta emprestada, e sigo viagem, para encontrar respostas, continuo a encontrar e encontro porque não procuro.
No Music
Letra de Louis Armstrong
WHAT A WONDERFUL WORLD
I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself, what a wonderful world
I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world
The colours of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shakin' hands, sayin' "How do you do?"
They're really saying "I love you"
I hear babies cryin', I watch them grow
They'll learn much more than I'll ever know
And I think to myself, what a wonderful world
Yes, I think to myself, what a wonderful world
Oh yeah
Aqui me sento, aqui penso, aqui escrevo, não peço que olhem, peço que escutem, e desfrutem a leitura de olhos cerrados, tal como devemos olhar uma pintura. Um dia após o outro é como um tríptico, a razão do amanhã, deve-se á atitude de ontem, e tal como olhamos uma pintura, olhemos o ontem.
Quantas vezes olho para um quadro com os olhos semicerrados, ninguém me ensinou, aprendi, A cor muda; As formas desprendem-se, e vagueiam pelo olhar, e entendo o que está por baixo, aquilo que o criador deitou no seu momento de êxtase para cima da sua base, é sempre mais que o esboço traçado e rabiscado ao longo dos dias e que ao juntar todas essas partes pensadas, elas saem de baixo e unem-se compõem-se, e ficam á vista de todos, todos aqueles que não sabem cerrar os olhos e não sabem entender o porquê. Eu aprendi, ninguém me ensinou, por isso sei, sei o que posso desfrutar, o que posso chorar, o que posso pedir, o que posso lamentar, o que posso sofrer amanhã, porque sei o que está por baixo, PORQUE SEI, da mesma forma que rebobinou os gestos mais mecânicos do dia-a-dia, e faço-me perceber a razão pela qual o ontem foi assim, e porque o amanhã decorrerá tal como previ. Poderás não lá estar, porque também tu, sim tu, corres como um relógio, e depois, páras, e descansas, como Dali imortalizou na Persistência da memória (1931), e sonhas em voltar ao passado e fazer tudo de forma tão igualmente diferente que viverás num carrossel.
Vivemos num carrossel, vivemos metaforicamente num carrossel. Sitio onde todos nós um dia brincamos e sonhamos ser cavaleiros e príncipes, sorrindo ao sabor dos altos e baixos do movimento do carrossel e acenando com uma alegria contagiante cada vez que passávamos em frente de quem nos disse, “vai, sobe”. Hoje vivo num carrossel, com altos e baixos, todos vivemos, não quero que pare, posso fugir mas não existem distâncias entre mim e aqueles que cruzam as vidas uns dos outros. Quando ele pára, apenas mudamos de sítio e esperamos o recomeço da viagem.
Os dias não são ciclos fechados, não acabam nem começam, encadeiam-se e misturam-se com uma finalidade: fazer perder a noção do que é o nosso dever fazer acontecer.
Music: We are all made of stars - MobyGetting away with it - James
Abri o álbum, com um cuidado extremo e pausadamente ritmado viro as páginas e passo fugazmente os olhos por todas as imagens que me aparecem, volto uma, duas páginas atrás e recomeço a lenta e fugaz passagem. Pela história que o fundo conta, penso, em quem realmente está retratado e Sempre. Sempre sem excepção conto-me uma nova história, que pode ser uma qualquer, um sorriso triste, um olhar longínquo igual aqueles que cruzo diariamente ao passar em frente a um reflexo, QUERO reflectir o meu olhar nos teus olhos para voltar a sentir a alegria, que por vezes retrato nas passagens e memórias que me ficam de momentos marcantes. Simples momentos, momentos complexos, boémias tertúlias passadas interiormente que hidratam os meus tempos mortos. Quando o nosso fim se aproxima, quando temos o ultimo piscar de olhos, e nos transformamos em eternas e temporalmente decrescentes memórias entre aqueles que nos veneram, até ao completo esquecimento, nesse piscar, vivemos tudo de novo, tudo, e essa retrospectiva mexe com quem aparece sem explicação tal como nos sonhos, as personagens que compõem a minha vivência vão tremer, vão arrepiar, vão em breve milésimas suster a respiração, e terão o meu perfil a navegar perdido, sem rumo á sua frente,
No meu MOMENTO, passará a minha primeira visão, aquela que por mais que queira agora saber qual foi, não me sei qual foi, os meus olhos abertos a sorrirem, comunicando com quem me abençoou e permitiu partilhar a experiência de passar por aqui. Ao longo do tempo vou escolhendo esta e aquela imagem, esta e aquela sensação, aquele sufoco, aquela alegria, aquele nó no estômago, aquela dor, aquele alivio, aquela medo, aquele ardor e aquela paixão, aquele Momento, que se fixou na minha memória e que juntos descrevem um percurso, sinuoso, mas meu, construído por mim, reconstruído por mim, alicerçado por mim e por fortes bases que se derrubam com um pequeno movimento.
Queremos todos viver a passagem, e vivemo-la, garanto; mas não sabemos viver a extinção.
Vamos ViVeR. Desfrutem, Cativem, Alimentem, Amem, aquilo que sem nada termos pedido nos estão a proporcionar.
Music: Clocks, Coldplay